reading challenge #4: breves narrativas diplomáticas – celso amorim

4. BREVES NARRATIVAS DIPLOMÁTICASCELSO AMORIM (publicado em 2013).

Categorias: ‘a non-fiction book’ e ‘a book based on a true story’.

Resumo: Celso Amorim se vale das anotações e experiências que teve como Ministro das Relações Exteriores nos primeiros anos do primeiro governo do ex-presidente Lula. Conta de forma pormenorizada as posições do governo para os temas internacionais do momento e os detalhes das negociações com os outros países em encontros bilaterais, foros de organizações internacionais, no Brasil e worldwide. Usa uma linguagem simples para temas complexos, gostei das curiosidades trazidas nas notas de rodapé e das citações que ele mesmo faz.

Alguns trechos que gostei:

Sobre encontros com Dominique de Villepin (Ministro da França) em 2003: (i) na época da tentativa de resgate da senadora franco-colombiana Ingrid Betancourt que foi sequestrada pelas FARC em que agentes franceses armados desembarcaram sem autorização no Brasil: “Tivemos, nesse episódio de julho de 2003, conversas duras, que terminaram com um pedido de desculpas formal do governo francês – postura não tão óbvia para uma nação que, segundo a lenda, teria dito que o Brasil não era um país sério.” Na nota de rodapé diz: Frase atribuída a Charles de Gaulle, a propósito do célebre episódio conhecido como “Guerra da Lagosta”. Outros afirmam, porém, que a frase teria sido dita pelo embaixador do Brasil na França à época do episódio, (ii) “A relação de empatia que estabelecemos terá contribuído para explicitar o apoio da França ao Brasil como possível membro permanente do Conselho de Segurança, expresso, pela primeira vez, em conferência de imprensa à margem de uma reunião da Comissão Geral Franco-Brasileira, em julho de 2003.”

“Não tínhamos dúvida de que, sem a sanção multilateral do conselho, órgão detentor da responsabilidade primária por decisões afetas à paz e à segurança internacionais, a ação da coalizão liderada pelos Estados Unidos era unilateral e ilegal.”

“A posição do Brasil na questão iraquiana foi fiel à sua tradicional defesa de paz e contrária ao unilateralismo.”

“Quando me perguntam se a guerra é inevitável, penso que faz parte da descrição profissional de um ministro das Relações Exteriores acreditar que toda guerra é evitável até que pelo menos o primeiro tiro seja disparado. Então, até que isso ocorra, todos os nossos esforços – podem até ser qualificados de ingênuos por alguns – serão dirigidos à paz.” (Pronunciamento feito no plenário da Câmara dos Deputados em 27 de fevereiro de 2003 sobre do Iraque pela invasão da coalizão liderada pelos EUA.)

“O dossiê da Venezuela ajudou a balizar nossa relação com os Estados Unidos. Por um lado, ambos reconhecíamos a necessidade de trabalhar conjuntamente; por outro, estava claro que isso só era possível com pleno respeito à diferença de posições. Se no caso do Iraque a diplomacia do governo Lula disse a que veio, no caso da Venezuela ela disse como veio. Demonstrou que os momentos de maior confiança entre Brasil e Estados Unidos não são os de alinhamento automático, mas os de uma atitude independente e firme, porém aberta ao diálogo.”

“Cheguei a dizer ao presidente venezuelano (Hugo Chávez) que era preciso, como no caso da mulher de César, que o referendo não só fosse honesto e livre, mas que parecesse honesto e livre. Para isso era essencial que observadores internacionais assistissem ao pleito.”

“É que o projeto da Alca, como concebido originalmente, não era para ser nem pragmático nem equilibrado. Tinha natureza política além de econômica. Visava criar um espaço integrado em que os interesses econômicos norte-americanos continuassem a predominar, ao mesmo tempo em que demarcava nitidamente uma área de hegemonia dos Estados Unidos.”

“Muitas vezes, tinha que lidar com problemas específicos sem dominar totalmente os detalhes. (…) Por isso tinha que ser muito cuidadoso e, na dúvida, adotar uma posição cautelosa.”

“Ao viajar à África do Sul, como representante do presidente Itamar Franco para a posse de Nelson Mandela, em maio de 1994, notei que aquele país até então fechado no apartheid e sob sanções da comunidade internacional, tinha com o nosso notáveis semelhanças em nível de renda, desigualdade social e, sobretudo, no grande potencial de mudança.”

Sobre Nkosazana Dlamini-Zuma (à época Ministra da Saúde da África do Sul): “Não falava muito. Às vezes parecia meditar longamente sobre o comentário de um interlocutor. Mas sempre terminava por dar opiniões firmes e judiciosas.”

“Não posso entender que os empresários colombianos, que não temem a concorrência dos industriais e agricultores norte-americanos, tenham tanto medo dos empresários brasileiros.”

“Ouvi do presidente Hifikepunye Pohamba (de Angola) a gratificante observação de que o Brasil é um parceiro que não se limita a ‘dar o pão’, mas ‘ensina a fazê-lo’.”

Palavras: ativa, altiva, soberana, malfadada, placet, princípio da não intervenção, a priori, pseudomultilateral, problem solving, antidumping, epitáfio da Alca, démarche, savoir-faire, en passant, ceticismo, realpolitik, noblesse oblige, não indiferença.

BREVES NARRATIVAS

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