reading challenge #1: o alienista – machado de assis

1 – O Alienista – Machado de Assis (publicado originalmente em 1881).

Categorias: “a book from an author you love that you haven’t read yet” e “a book more than 100 years old”.

Resumo: Se passa em Itaguaí, cidade natal do protagonista, o renomado médico Simão Bacamarte que decide, através da observação de pessoas loucas, traçar o limite entre a loucura e a sanidade. Funda a Casa Verde (manicômio) com o aval da Câmara dos Deputados da cidade e acaba tendo que recolher quase todos os cidadãos de Itaguaí para lá, a partir do seu conceito de loucura. Muitos ficam indignados e o médico decide tratar das pessoas sãs, as expondo a situações para retirar-lhes a sanidade. Machado mostra com maestria o quão flexíveis e superficiais podem ser os políticos e, em iguais proporções, manipulável a opinião pública. Conclusão: todos são passíveis de enlouquecer quando expostos às próprias tentações (humanos) e o conceito de loucura é subjetivo.

Frases que mais gostei:

“A ciência é meu emprego único. Itaguaí é meu universo.”

“A ciência tem o inefável dom de curar todas as mágoas.”

“A saúde da alma é a ocupação mais digna do médico.”

“Dificilmente se desarraigam hábitos absurdos, ou ainda maus.”

“No Corão, Maomé declara veneráveis os doidos, pela consideração que Alá lhes tira o juízo para que não pequem.”

“Viam nela a feliz esposa de um alto espírito, de um varão ilustre, e, se lhe tinham inveja, era a santa e nobre inveja dos admiradores.”

“Dito de São Paulo aos Coríntios: ‘Se eu conhecer quanto se pode saber, e não tiver caridade, não sou nada.”

“Não há remédio certo para as dores da alma: esta senhora definha, porque lhe parece que a não amo; dou-lhe o Rio de Janeiro, e consola-se.”

“Imagem vivaz do gênio e do louco: um fita o presente, com todas as suas lágrimas e saudades, outro devassa o futuro com todas as suas auroras.”

“E muitos outros nomes feios, que um homem não deve dizer aos outros, quanto mais a si mesmos.”

“A ciência não é outra coisa que não uma investigação constante.”

“Demônio familiar: ou seja, Sócrates acreditaria num espírito que acompanhava continuamente seus passos e dominava sua pessoa.”

“Verdade, verdade, nem todas as instituições do Antigo Regime mereciam o desprezo do nosso século.”

“Há melhor do que anunciar a minha ideia, é praticá-la.”

“Demarquemos definitivamente os limites da razão e da loucura: a razão é o perfeito equilíbrio de todas as faculdades.”

“Mil outras explicações que não explicavam nada, tal era o produto diário da imaginação pública.”

“O vigário derreou os cantos da boca, à maneira de quem não sabe nada ou não quer dizer tudo.”

“Verdade é que, se todos os gostos fossem iguais, o que seria do amarelo?”

“Estou pronto a ouvi-los; mas, se exigis que me negue a mim mesmo, não ganhareis nada.”

“Nada mais imprudente que essa resposta do barbeiro; e nada mais natural. Era a vertigem das grandes crises.”

“O terror também é pai da loucura.”

“Resultara para ele a convicção de que a verdadeira doutrina não era aquela, mas a oposta, e portanto, que se devia admitir como normal e exemplar o desequilíbrio das faculdades e como hipóteses patológicas todos os casos em que aquele equilíbrio fosse ininterrupto.”

“A prudência é a primeira das virtudes.”

“A vereança, concluiu ele, não nos dá nenhum poder especial nem nos elimina do espírito humano.”

“Os alienados foram alojados por classes. Fez-se uma galeria de modestos; isto é, os loucos em quem predominava esta perfeição moral; outra de tolerantes, outra de verídicos, outra de símplices, outra de leais, outra de magnânimos, outra de sagazes, outra de sinceros, etc.”

“Só se lhe notava luxo naquilo que era de origem científica; o que propriamente vinha dele trazia a cor da moderação e da singeleza, virtudes tão ajustadas à pessoa de um sábio.”

“Os cérebros organizados que ele acabava de curar, eram desequilibrados como os outros. Sim, dizia ele consigo, eu não posso ter a pretensão de haver-lhes incutido um sentimento ou uma faculdade nova; uma e outra coisa existiam no estado latente, mas existiam.”

“Simão Bacamarte achou em si os característicos do equilíbrio mental e moral; pareceu-lhe que possuía a sagacidade, a paciência, a perseverança, a tolerância, a veracidade, o vigor moral, a lealdade, todas as qualidades enfim que podem formar um acabado mentecapto. (…) Ato contínuo, recolheu-se à Casa Verde.”

Palavras: cataplasmas, mofinos, longanimidade, admoestações, imarcescíveis, arroubo, comensais, defraudar, estipêndio, aterrada, redarguir, penachos, fraude pia, reproche, opulência, pérfida, consternar, vulgar, ferocidade, grotesco, pulhas, lhano, resignação, chalaça, algibeira, pundonoroso, labéu, desforra, mentecapto, cabedais, aleivosia, boticá, desdouro, albardas, epigrama, grassar, monomania, desdouro, préstito, flâmulas, obtemperar, apólogos, enfastiado, arrojos, pintalegrete, reptos, taciturnos, estipêndio,  patuscada, entestar, escrutava, degredo, sequazes, cáfila, denodo, alvitre, ignominiosamente, repto, privança, sublevação, vesicatórios, vandálicas, alvitre, atalhar, boticário, vilipendiar, melindroso, desvanecimento, impassível, engodo, sequazes, lisura, abnegação, fausto, adágio, insigne, retorquir, pusilânime, tino, unguento.

O Alienista

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