despedida?

Pra me despedir, eu poderia falar:

Das suecas nos corredores,

Dos papos nos banquinhos debaixo da mangueira,

Dos quitutes e cafézinhos da Marisa,

Das cervejas de garrafa do Seu João,

Dos churrascos sem carne,

Das choppadas sem chopp,

Das paixões tórridas,

Dos amores duradouros,

Dos Jogos nada Jurídicos,

Da correria de cada final de período,

Da fila da xerox,

Da alegria das notas dez,

Do receio das abaixo de seis,

Da arte em conciliar o estágio, a faculdade e, é claro, os 20 e poucos anos,

Dos que, desde o primeiro dia de aula, estavam decididos a prestar determinado concurso público,

Ou dos que tinham certeza que advogariam,

Ou, ainda, dos que de lá pra cá, optaram por trocar de lado,

E até daqueles que começaram sem pretensão nenhuma,

mas que, exatamente como todos os anteriores,

aprenderam no decorrer desses quase 6 anos,

para além das responsabilidades objetivas ou subjetivas,

um pouquinho da responsabilidade perante a vida,

aos olhos cegos da justiça.

Acontece que eu, pessoalmente,

me recuso a acreditar em despedidas,

quaisquer que sejam,

acredito é em novos caminhos,

e é isso que essa noite significa.

Aos nossos Pais, de sangue e de afeto e aos ausentes: esta noite é de vocês.

Aqui se celebra o sucesso da educação que nos foi dada.

Daqui partiremos para conquistar o mundo.

Que não tenhamos medo de tentar, de recomeçar, de insistir,

pois, como se sabe, o maior naufrágio é não partir.

Alea Jacta Est: A sorte está lançada!

VAMOS SER FELIZES!

IHUL! (não tava no script.)

Discurso escrito por mim e proferido na colação de grau da minha turma (Direito da Universidade Federal Fluminense) em 4 de fevereiro de 2010.

o antônimo da raiva.

Como você sabe (pois não me contive e te liguei fula da vida na primeira oportunidade que tive), essa semana eu senti muita raiva de você (não sei se foi exatamente raiva o que senti, ainda tô aprendendo a identificar os sentimentos ruins – minha terapeuta não gosta que eu os adjetive assim – que eventualmente eu – e toda a humanidade, daí a empombação da minha terapeuta quando digo que são ruins – senti).

Não importa, o que importa é que eu descobri que o Visconde do Rio Branco foi grão-mestre da maçonaria lendo 1889. Por que você não me contou isso antes, cara?

Logo você que me ensinou a não me importar com o julgamento alheio naquele dia no crepe-furgão na Praia dos Cavaleiros (já anoitecia e eu de roupa de praia me preocupava com o que as pessoas arrumadas pro seu rolé noturno pensariam de mim) ao dizer que ninguém tinha nada com o que eu vestia, que eu tinha é que me sentir confortável, eles não pagavam as minhas contas afinal de contas (à época quem pagava era você).

Você que, ao alugar aquelas vans dominicais pra irmos de Macaé ao Rio de Janeiro, tantas vezes me proporcionou sentir essa emoção que transborda o coração de ser flamenguista e comemorar um gol abraçando qualquer pessoa por perto de nós nas cadeiras e, quando já estávamos maiorezinhas, nas arquibancadas ‘que é pra sentir mais emoção, ôôôô’ (e mamãe horrorizada com os palavrões que eu e Carol voltávamos falando de cada ida nossa ao Maraca). Não acho mesmo que tenha sido coincidência o Hexa do Flamengo ter sido no dia do seu aniversário, não mesmo. E que delícia ter estado lá do seu lado e de toda a Nação. Vontade de abraçar o Maracanã inteiro.

Logo você que me lia meus livros de História da escola pra me ensinar sobre as Civilizações da Mesopotâmia (dizendo sempre pra eu ter em mente o que aquela região infelizmente vive hoje) e me fez essa apaixonada que sou pela matéria (hoje chorei ao visitar quarto em que Getúlio Vargas se suicidou naquele 24 de agosto fatídico no Palácio do Catete, sabia? Tá tudo lá ainda: a cama, o telefone, as mesinhas, o armário, a banheira e até o pijama com a macha de sangue e, mais abaixo, o próprio revólver que ele utilizou. Não me contive.).

Você que, ao me encontrar no banheiro em estado de choque emocional sem saber o que dizer pra vovó por ter perdido no mar aquele anel-terço querido dela feito do ouro derretido da aliança do seu avô João, me sugeriu graciosamente (apontando pra sua cabeça com seus dedinhos assim) que eu aproveitasse o ocorrido e notasse, de uma vez por todas, que a única coisa que a gente não perde e ninguém pode tirar da gente é o conhecimento.

Logo você que, com essa sua educação e gentileza sem igual, me fez, pelo exemplo (ah, o exemplo) ser o que sou hoje: alguém que não consegue passar por nenhum ser vivo sem sorrir e cumprimentar (hoje me peguei cumprimentando a estátua do José de Alencar que fica aqui perto, você acredita? Se bem que você cumprimenta as máquinas que geram os papeizinhos dos estacionamentos dos shoppings. Em inglês.).

Você que deixava os livros que estudava na maçonaria pela casa sabendo muito bem que eu pegava e lia todos, que me fez ao menos tolerar isso de mulher não pode participar dos rituais de vocês, pois ‘a energia que elas emanam pro universo é diversa da emanada pelos homens’.

Logo você que, naquela tarde ensolarada de 31 de maio de 2000, pegou a minha mão no Parque da Colina ao olhar pro corpo de vovó aparentemente oco, sem qualquer traço de vida, olhou nos meus olhos com olhos cheios de lágrimas (foi a primeira – e talvez a última até hoje, não consigo lembrar outra agora – vez que te vi chorar nesses 29 anos) e disse (não sei se afirmava ou efetivamente me questionava, lembro que fiquei em silêncio, um silêncio ensurdecedor): ‘Não é possível que seja apenas isso. Tá vendo só, Joana? Não é possível. Tem que ter algo além.’.

Você que me levou contigo praquele Centro Espírita no Visconde em mais uma tentativa de descobrirmos juntos a razão de estarmos aqui nesse mundo (não há verdade absoluta e nem resposta pra isso, lembra? Talvez você mesmo tenha me contado isso também).

E voltamos ao Visconde. Será que o bairro macaense tem esse nome em homenagem ao do Rio Branco, que foi grão-mestre da maçonaria? Não foi você quem me contou, mas agora eu sei.

E a última coisa no mundo que eu sinto de você é raiva, meu Pai. 

 

 

agradecimento.

Despedida eu me recuso a escrever, uma vez que o intuito desse e-mail é agradecer…

Agradecer a cada um de vocês que nesses quase 8 meses de convívio, de uma forma ou de outra, me ensinou que:

– Rotina não pressupõe monotonia e uma segunda-feira qualquer pode ser tão surpreendente quanto o dia que você descobriu que a namorada do seu pai engravidou;

– Além do mundo do Código Civil e de Defesa do Consumidor existe o do advogado e, por sua vez, esse sim, é capaz de transformar água em vinho;

– Empregar a tal da crase é que nem andar de bicicleta;

– Escutar é, de fato, mais importante do que falar – tudo bem, confesso que aqui eu não me tornei nenhuma expert…;

– 24 horas podem valer por 1 só! – ok, ok.. o contrário também bem que pode acontecer…;

– Trabalho em equipe rende horrores, de verdade, e é, muito, muito mais edificante do que qualquer coisa que se possa fazer sozinha;

– O tilintar das xícarazinhas de café pode ser mais saboroso que ele próprio e que frio, definitivamente, não é psicológico!;

– As palavras podem doer tanto quanto um tapa, mas simplesmente passam – afinal de contas, o que não passa?;

– E, mais importante de tudo, que eu ainda não sei é nada!

Por outro lado, desaprendi por completo – se é que algum dia eu soube! – a separar a razão da emoção e, cá estou eu, com o coração na mão, escrevendo um e-mail para “colegas de trabalho”, como que fossem meus amigos, no melhor sentido que essa palavra pode ter!

Enfim, sou eternamente grata (que brega!) pela melhor primeira experiência de trabalho que eu poderia ter tido nessa vida!!

Prosperidade – que significa paz de espírito – para todos nós!

Atenciosamente (pra não perder o costume, né?),

NAVEGA – Joana Bahia Navega
Tozzini, Freire, Teixeira e Silva Advogados
Praça XV de Novembro, Nº 34 – 9º andar, Centro – CEP 20010-010
Rio de Janeiro – RJ

 

E-mail de despedida do meu primeiro estágio num escritório de advocacia – escrito e enviado em 1 de dezembro de 2006.

a viajante.

“Com franqueza, não me animo a dizer que você não vá. Eu, que sempre andei no rumo de minhas venetas, e tantas vezes troquei o sossego de uma casa pelo assanhamento triste dos ventos da vagabundagem, eu não direi que fique.
Em minhas andanças, eu quase nunca soube se estava fugindo de alguma coisa ou caçando outra. Você talvez esteja fugindo de si mesma, e a si mesma caçando; nesta brincadeira boba passamos todos, os inquietos, a maior parte da vida — e às vezes reparamos que é ela que se vai, está sempre indo, e nós (às vezes) estamos apenas quietos, vazios, parados, ficando. Assim estou eu. E não é sem melancolia que me preparo para ver você sumir na curva do rio — você que não chegou a entrar na minha vida, que não pisou na minha barranca, mas, por um instante, deu um movimento mais alegre à corrente, mais brilho às espumas e mais doçura ao murmúrio das águas. Foi um belo momento, que resultou triste, mas passou. Apenas quero que dentro de si mesma haja, na hora de partir, uma determinação austera e suave de não esperar muito; de não pedir à viagem alegrias muito maiores que a de alguns momentos. Como este, sempre maravilhoso, em que no bojo da noite, na poltrona de um avião ou de um trem, ou no convés de um navio, a gente sente que não está deixando apenas uma cidade, mas uma parte da vida, uma pequena multidão de caras e problemas e inquietações que pareciam eternos e fatais e, de repente, somem como a nuvem que fica para trás. Esse instante de libertação é a grande recompensa do vagabundo; só mais tarde ele sente que uma pessoa é feita de muitas almas, e que várias, dele, ficaram penando na cidade abandonada. E há também instantes bons, em terra estrangeira, melhores que o das excitações e descobertas, e as súbitas visões de belezas sonhadas. São aqueles momentos mansos em que, de uma janela ou da mesa de um bar, ele vê, de repente, a cidade estranha, no palor do crepúsculo, respirar suavemente como velha amiga, e reconhece que aquele perfil de casas e chaminés já é um pouco, e docemente, coisa sua. Mas há também, e não vale a pena esconder nem esquecer isso, aqueles momentos de solidão e de morno desespero; aquela surda saudade que não é de terra nem de gente, e é de tudo, é de um ar em que se fica mais distraído, é de um cheiro antigo de chuva na terra da infância, é de qualquer coisa esquecida e humilde – torresmo, moleque passando na bicicleta assobiando samba, goiabeira, conversa mole, peteca, qualquer bobagem. Mas então as bobagens do estrangeiro não rimam com a gente, as ruas são hostis e as casas se fecham com egoísmo, e a alegria dos outros que passam rindo e falando alto em sua língua dói no exilado como bofetadas injustas. Há o momento em que você defronta o telefone na mesa da cabeceira e não tem com quem falar, e olha a imensa lista de nomes desconhecidos com um tédio cruel. Boa viagem, e passe bem. Minha ternura vagabunda e inútil, que se distribui por tanto lado, acompanha, pode estar certa, você.”

 

Rubem Braga em “A Borboleta Amarela” – Editora do Autor – Rio de Janeiro, 1963.

reflexões.

isso são só pensamentos, pensados por escrito.. para que você possa compartilhar comigo e saber o que se passa inside my head.. tudo começou meio que sem querer, nós dois sabemos, totalmente bizarro, um sabendo do outro coisas completamente abstratas, estilo os sonhos em comum, tipo Londres, o fascínio pela Teoria da Conspiração, os pensamentos sobre política, música, religião e tudo o mais.. e como na música do Caetano, “..tudo era apenas uma brincadeira, e foi crescendo, crescendo, me absorvendo, e de repente eu me vi assim completamente seu..”, foi exatamente isso, eu lá, sem querer, me vi querendo estar conversando com você, a hora que fosse.. e relia meu diário, e via o tanto que nossas conversas rendiam.. e o mais interessante, foi o modo como isso foi se desenrolando.. que acho que foi exatamente o que chamou minha atenção, sempre eu “dando o primeiro passo”, botando meu MSN nos seus scraps pra você adicionar, mandando beijo na boca assim explanado, arroz&feijão escritinho e lá vai fumaça.. a verdade é que eu não me reconhecia.. e nem queria.. tava achando o máximo.. liguei o foda-se e mergulhei nessa ladainha nossa.. e não me arrependo.. de jeito nenhum! aliás, até hoje eu não sei se o que eu mais amo em você, ou o que eu mais odeio, é esse seu jeito passivo (?) e além de tudo, sincero, chegando a ser frio.. é ? você entrou na minha vida numa das melhores fases, de greve, férias, praia, fim de tarde ainda lá, cervejinha, noitada, bonnie&clyde, viagens, reveillon pra láde bom, … ! e caiu como uma luva, em todos os sentidos, de eu não ter que abrir mão de nada.. nada mesmo.. o que mais tarde veio a gerar essa bagunça toda agora pouco, né ?! te falar que nem eu via isso, aposto que você também não, e só se deu conta quando parou pra pensar.. meses depois.. onde sua vida tava te levando.. olha, como eu te falei, eu nunca te pedi isso, mas foi uma das coisas mais legais que alguém fez por mim na vida..e sinceramente, reconheço que fui agoísta, que seja.. mas, de verdade, inconsciente, não tinha parado pra pensar, de fato, você que abriu meus olhos, e espero mesmo que com você tenha sido a mesma coisa, você só tenha se dado conta agora.. que tudo tenha sido tão bom quanto foi pra mim.. mesmo com momentos compartilhados com terceiros e nunca nós dois, como você diz, e eu concordo.. e importante era que você tava lá.. em se falando de coisas bizarras, tudo nosso sempre foi assim, o modo como eu conheci seus pais, ou como você conheceu minha irmã e bruno, ou ainda, nós nos revendo depois de BsAs, 1 mês sem nos ver.. hehe, e como não era de se esperar.. e pensando em BsAs, como eu tava diferente.. e as reviravoltas no meio das nights, borracha que me davam ?! uma bad de saudade de você.. credo.. não gosto nem de lembrar, e chegava em casa altas horas pra entrar na internet e tentar te ver lá.. e o dia que você foi frio, que eu passei mal de dor de barriga sério.. essas coisinhas que só me provavam que eu tava gostando de você de verdade, .. mas aí eis que caímos na vida real, fora da tal utopia que você adora botar em pauta também, normal, né ? infelizmente (ou não!), a vida não é só férias.. de repente, entramos no nosso dia-a-dia, e eu, errei feio, querendo você como antes comigo, namoradogoshi! coisa que não existe, é até aceitável, porque pra uma leiga em relacionamentos como eu, que de parecido, só tenho relacionamentos com melhores amigas de tempos de colégio que se pode ver todos os dias, todas as horas.. a verdade é que calhou de eu passar por 283498374 mudanças nesse mesmo tempo.. e assim como você não me reconheceu em me mostrando egoísta, eu muito menos, te reconheci quando não tinha mais você dando pitaco sobre as coisas que se passavam comigo, ou pior, quando você fazia (e como faz bem!) sua grosseria.. e passar disso, pra um ciúme crônico, é um pulo! exatamente o que aconteceu, hoje em dia, eu já não me vejo com você como antes, sinto que perdi minha espontaneidade, penso antes de falar quando estou com você, e acabo errando, nem falando o que tava afim, ou mudando alguns pontos.. e não estou sabendo lidar, e meu coração dispara quando você liga, ou quando você entra no MSN, ou quando manda msg, e eu sinto um negócio ruim nas costas quando você diz que não vai poder sair,que seja, ou quando eu ligo e você atende com voz de dormindo eu acho que é má vontade.. que você não mais quer estar comigo, já cogitei que você faz o que faz pra que eu tome a iniciativa de terminar, essas coisas.. pode até ser que faça sentido, ou que proceda, uma ou mais viagens… a verdade é que eu não tô gostando.. mas o interessante é não saber de onde vem isso.. minha vida tá um turbilhão (como sempre foi..e eu já devia ter me acostumado!), tudo vindo inesperadamente, ou tudo esperado.. mas não tô sabendo lidar, ou tô.. alguns fatos, que acho que mesmo a gente namorando você não deve ter noção de que se passam aqui dentro.. ou tem idéia.. começando pelo aniversário da minha irmã, que simplesmente não falaria com ela hora nenhuma do dia pra dar parabéns, se ela não tivesse ligado de madrugada pra saber como deixava a água do chuveiro de Saquarema quente, a verdade é que, nem eu, que tive o dia todo pra ligar e resolvi ligar à noite quando sabia que celular não pega em Saqua, nem ela que também sabia e não ligou pra falar comigo, fizemos questão, de fato, de nos falar, ou ainda, não tínhamos passado tal data separadas, vide meu aniversário do ano passado.. que foi maravilhoso, mas incompleto total sem ela em niterói, e eu senti o vazio o dia todo, sem saber do que se tratava.. e o emprego, que surgiu quase que do nada, me ligando quarta, entrevista, prova escrita, documentos, quinta e começando a trabalhar sexta.. eu não tive tempo nem pra pensar.. e vi nossa viagem tão esperada indo por água a baixo.. e não me arrependo, meu pai vive numa constante inconstância no que diz respeito ao $$$, sempre cortou dobrado, triplicado por mim e carol.. abrindo mão dos próprios sonhos em detrimento dos nossos.. ele e mamãe fizeram de tudo e mais um pouco, realizaram sonhos meus, que precisavam de $$ nesse meio.. e sempre ali, na vidinha deles.. e eu tava vendo.. que pra continuar minha vida realizando os meus sonhos só correndo atrás por mim mesma, que era o que eu devia ter feito desde o começo.. a verdade é que inconscientemente tudo que eu mais queria era arrumar um job.. fora o psicológico abaladão pela mudança repentina de vida, 8 horas num escritório, não mais almoçar a comidinha de D. Maria, não mais ver a reprise de f r i e n d s meio dia e meio, ou aquela dormidinha de depois do almoço, chegar à casa tarde e querer só uma coisa: dormir! .. mil coisas vão passando, e mesmo sabendo que nada é definitivo nessa vida, no mínimo fiquei e continuo assustada.. em estado de choque! mas feliz, eu acho.. além da experiência, é simplesmente fantástico estar num ambiente no qual as pessoas tem a mesma formação no mínimo, é uma troca de experiências que eu nunca vi igual! fora também eu ter ido à Cristalina, você não tem noção do revertério na minha cabeça que surge cada vez que eu vou lá, em todos os sentidos, de eu ser assim tão solta, me sentir tão cidadã universal, de querer viajar, de querer morar em cada lugar desse mundão, de certa forma ou de outra, quando eu piso naquela terra, eu me sinto em casa, mesmo sabendo que nunca vai ser, é meio que minha raiz, não sei explicar, eu fico nessa neura.. dividida ?! não sei.. e o fato é que desde que minha avó e maior amor morreu, eu meio que transpus o amor que sentia por ela pra Tia Rita, louco isso, mas é o que eu sinto, e a verdade é que eu nunca me dei bem com ela, aliás, não quando estivéssemos juntas, e essa última ida, eu consegui, alias, nós conseguimos, tudo que eu sempre quis, ter uma relação com ela de filho! de amor verdadeiro! de troca! de saber opiniões! perfeito..voltei naquele vôo tão realizada (que nem quando eu voltei de Londres) que jurava que o avião ia cair, que eu já podia morrer, e quando sinto a pontada de dor, não deu outra né !? fui parar no outro dia dentro daquela máquina de tumografia, meio muito tudo psicológico, e ao mesmo tempo inconsciente…outra coisa, essa mudança pra itaipu repentina (como mais iria ser ?), a casa própria, a vida entrando nos eixos financeiramente falando, mas de outra maneira, saindo do eixo! longe da faculdade, do trabalho, das amigas, perto da praia, do namorado.. sabe !? vai ver eu que faço escarcéu em tudo isso que eu levantei, mas não posso evitar, essas coisas martelam toda hora em mim, por isso, eu penso que eu devia ver mais minha cabeça, me tratar mesmo, com terapias alternativas que sejam, yoga, balanceamento, eu vivo nessa aflição.. e pra piorar ou melhorar (ou você achou que eu saberia ?!) eu começo a ler esse livro louco, que simplesmente cai como uma luva em todos os meus questionamentos. bom, o que eu quero dizer é que eu não sei mais se eu e você tá me fazendo realmente bem, e mais, se tá te fazendo bem.. vai ver você mal sabia onde tava se metendo quando começou a se envolver comigo, que eu sou muito mais complicada do que você poderia imaginar. mas pra isso você tem de me ajudar, como ? você me diz ? ou eu digo ? this is how it used to be.. com amor, ou algo muito perto disso.

E-mail escrito em 25 de abril de 2006 e enviado em 22 de setembro de 2009.

saudade da bahia… e de mim.

Quanta história interessante! Esse lance de “tão turística que chega a perder a personalidade” eu sei exatamente o que você quer dizer. Senti isso em Morro de São Paulo, depois de 3 dias numa ilha rústica, onde a eletricidade chegou faz pouquinho tempo chamada Boipeba, também na Bahia. Foi exatamente essa a minha impressão de Morro.

Com a afirmação aí de cima, dá pra ver mais ou menos como tenho levado a vida fisicamente, embora dentro da minha cabeça parece que tem uma Lei de Autonomia, estilo essas aí da faculdade, que não me deixa em paz! 😉

Passei o reveillon com 3 amigas na Bahia – Ana Paula (tu deve conhecer de outros carnavais – literalmente.. – Raquel (irmã de Beib) e Lívia – mais especificamente em Barra Grande, que fica numa península, um paraísozinho! Até Elba Ramalho tava lá! Hahaha.. eu sempre acho que num ligo pra essas coisas, mas quando dei de cara com ela na praia, só faltou derreter! hahah.. por pouco não pedi uma palhinha de: “Não se admire se um dia, um beija-flor invadir a porta da sua casa te der um beijo e partir, foi eu que mandei o beijo, pra matar meu desejo, faz tempo que não te vejo, ai que saudade d`ocê!” Heheh.. Top 5 atual música que ouço e sinto atualmente, em vários sentidos.

Em suma: A típica calma baiana, aquelas praias que se vê o fundo e os peixinhos, comida baratinha – inclusive o camarão e o acarajé.. (lembra do Farol de São Thome o preço do camarão?) – hippies everywhere, e eu sempre matutando pra entender como conseguem ser desprendidos (nenhuma resposta so far! Vai ver não é pra ter, né?) e o mais importante, pessoas! Conhecemos tanta gente boa, realidades, sotaques e gostos tão diferentes dos nossos que chega a ficar igualzinho! Sabe?

Até Salvador eu fui, já morta e sem calcinhas limpas na mochila, voltamos dia 11, foram 17 dias ao todo, fiquei durante uma semana em Macaé cuidando do meu irmãozinho (o sorriso mais lindo do mundo! É irresistível!) e estamos nos preparativos do Carnaval – Mesmas Lívia e Raquel, só que dessa vez entra Lice! Destino? Bahia. Hahaha.. é apaixonante, de fato.

Delícia esse mochilão de vocês, ein. Fico mais apetecida pelos lugares do leste europeu, que até tu falou de Viena e talz, tenho bem aquela imagem do filme “Antes do pôr-do-sol” onde tudo é mágica e poesia.. e sobre Veneza, pense que fostes antes de afundar, ao menos. 😉

Sobre esse tempo louco, o Brasil não foge à exceção não.. e o presidente americano num assinou esse bendito Protocolo, né?

Paris! J’aime! 🙂
Passei dois dias apenas por aí e confesso que fiquei com medo do rio que achei ser o Sena ser um dos seus braços. Hahahahah 🙂
Foram suficientes pra eu me apaixonar, tinha planos de ir praí pela faculdade que nem vocês, mas um monte de coisa junto fez eu optar por Sevilha mesmo. (Hoje! Amanhã já não sei!) 🙂

Hoje recebi a resposta final do programa de estágio da Globo e fiquei no banco de reservas. 😦
Esses últimos meses comi tanta unha por causa disso, kra.. faz-o-quê, né?
348975893745873845735 matérias no próximo semestre pra ver se dou um gás na formatura, o que vai me impossibilitar de arrumar um estágio.

Interessante seu estágio! Aproveite pra absorver tudo! De cinema, do francês, de $ e de tudo que for possível. 🙂
E viaje, sempre. Mesmo que sentada à frente do computador. (Tenho tentado fazer isso.)

Eu tenho saudade de você também, mas é fácil até, né? Só momentos bons e felizes. 🙂

ENJOY! (Em francês!)

PS.: VÁ À LONDRES! 😉

E-mail escrito e enviado em 23 de janeiro de 2008.

Image

news from bons ares.

Alô, alô, meu Brasil querido! Nesse momento tá tocando um Tom Jobimzinho pra galera aqui no nosso albergue, hehehe.. bom demais! O voo foi tranquilo.. tive que chorar quando abracei mamãe, né?! Mais manteiga derretida não tem.. fora Lice falando alto com iPod na orelha acordando todos os passageiros AHEhAEhae.. sanduíche melhor do mundo que eu até pedi 2. Ontem já fomos avisadas que estava um calor danado aqui..e tá mesmo, viu? Hoje então no fala não… chuva torrencial de verão e depois de 15 minutos aquele sol sinistro, putzgrila! Maior doidera, tipo Londres. Neste momento tô TODA suada que nem que tivesse numa sauna. Gente de tudo quanto é parte do mundo no nosso albergue. Banheiro bom (feminino separado de masculino), tamos num quarto misto com muita gente (devem ter umas 7 camas), colchão bom, colchas cheirosas, mas quarto fedido. Hoje foi sinistro: acho que andamos uns 10 quilômetros ou mais, várias emoções. Ah, logo no aeroporto conhecemos uma finlandesa: a Anita. Muito gente fina, tão loira que nem sobrancelha tem. 19 anos e tá viajando toda a América Latina all by her self. Corajosa!? imagina!! hhehehe.. Bom, almoçamos num restaurante 9.80 pesos no total entrada, prato principal e sobremesa. Achamos que távamos fazendo um ótimo negócio, mas não fomos avisadas que devíamos pagar mais 2.50 pesos pela taxa de serviço, fora gorjeta!! putzgrila.. e a carne?!!? Parecia um cupim de tanta gordura. Tão dura que fiquei com dedo vermelho e dor no braço depois do almoço. A de Lice então… nojenta! Depois vimos num jornaleiro qual parte do boi que era a tal parte que comemos, é bem embaixo assim.. uiii! O que salvou foi o sorvetinho de sobremesa, a berinjela da entrada que eu e Anita nos acabamos e o arzinho condicionado do restaurante hehe.. chegamos na Universidade de Buenos Aires, fizemos a prova de nivelamento e talz e vieram 3 professoras avisarem o que?! que terminaram as vagas do curso!! L Saímos desoladas.. do ladinho da Casa Rosada a UBA, Casa Rosada baixinha que só ela.. e as paredes tom sobre tom o rosa.. hehehee.. mas bem legal, deu pra sentir o que eu sinto quando estou perto de alguma construção histórica ou algo do tipo. Depois procuramos um outro curso pela internet e achamos um bem na rua do nosso albergue, com desconto de 10% pra brasileiros, ainda com tango, material e tour com guia pelos lugares históricos de Buenos Aires. Uma beleza! Tamos dentro já e lá também nos indicaram um alojamento tipo república, meio longe (fica em San Telmo), mas muito bom (quarto só nosso, com estante, banheirinho lindo, academia de ginástica, ping pong, totó, sinuca, cozinha comunitária, revistinha pra ler, gente pra conhecer, tv e 100 pesos mais barato que o preço mensal do albergue!!! Ou seja, o mundo deu uma volta mais que punk em menos de 3 horas.. de perdidas nos encontramos completamente.. essas horas que eu vejo que Deus existe mesmo.. ou é a energia de vocês! De resto tá tudo ótimo.. é bom ver que não existe NADA como o aconchego do lar, mas tão bom quanto é rodar por aí!! Se cuidem. Aproveitem as férias e Itacoa (quem tá de férias), estudem bem e guardem os resumos pra mim (quem tá em aula – greve duma figa) e todos vejam o pôr-do-sol de verão! Beijos imensos, Jojo! Falo on behalf of Beib e Lice também!!

Adaptação de e-mail escrito e enviado em 6 de janeiro de 2006.

buenos