atenas.

Day 1.

Dormi uns minutos no trem de Heidelberg pra Frankfurt, nascer do sol estonteante, trem a 300 quilômetros por hora, silêncio total e sensação de flutuação. Voo pra Atenas, não consegui dormir no voo, vim lendo Istambul de Ohan Pamuk e reparando algumas das lindas crianças que estavam no voo, ao final do voo, senti aquela dor no ouvido, ui! Plaquinhas dos banheiros feminino e masculino, ainda bem que tinha o desenho. Pegamos um táxi, taxista não falava muito bem inglês (o que não parece ser raro por aqui), mas nos trouxe direitinho. Já no caminho notei alguns monumentos históricos, ruínas e tal e fiquei bem nervosinha pra ir ver. hihi. Chegamos no albergue, as meninas não estavam. Conhecemos nosso quarto, peguei a senha do wi-fi e descansamos um pouco. Nervoso máximo de sair andando por aí.  As meninas tinham mandado mensagem de que estariam no Museu da Acrópole, acordei Ana e fomos pra lá.  Bem pertinho do nosso hostel, já fiquei embasbacada com a Acrópole vista de baixo e fomos direto pro Museu. Limpinho, arquitetura moderna e recentemente construído.  Conta, por meio de exposições e um pequeno documentário a incrível história da Acrópole e seus monumentos. Encontramos as meninas e eu tive vontade de berrar, mas me contive por estar num museu. Haha. Depois eu lia as placas e textos e resumia tudo pra elas (o idioma grego é esteticamente bonito, mas num da pra entender nada mesmo, nem lendo nem escutando, que nervoso que me dá!). Depois fomos almoçar em Plaka, um lugar lindo, cheio de ruelas, restaurantes, flores e cafés. Comemos saladinha, frango e vinho, tudo com muita pimenta tomate e azeite (que, by the way, é sagrado aqui. Parece que foi uma oliveira que a deusa Atenas deu de presente pro povo ateniense e ganhou a guerra contra Poseidon, se tornando a deusa da polis e dando nome à cidade).  Depois fomos pro albergue e Daza chegou! Bagunça danada no quarto, todas de banho tomado, um menino entrou aqui, pois botaram ele por engano, bem na hora que Bela e Beib tinham saído do banho e estavam de toalha. Berrei muito de susto.  Fiquei até com pena do menino. Muito papo furado e histórias da Yatch Week delas. De noitinha caminhamos por Plaka atrás dum restaurante gostoso pro jantar. Nos perdemos. Cada rua uma aventura. Calor danado. Dormi na mesa do restaurante de tão cansada. Hoje eu conto amanhã, agora são quase 3 da manhã e as meninas já estão no décimo sono, acordaremos às 5 da manhã, pois nosso ferry pra Santorini sai às 7 em ponto do porto!!! São 4 horas até lá. Os dias estão lindos. Eu amo viajar. Lice trouxe uma revista sobre a Grécia e toda hora me separo do grupo, pra saber mais um pouquinho dessa fantástica cidade que eu tô tendo a sorte de conhecer.

Day 2.

Não consegui levantar pro café da manhã do albergue. Levantei mesmo com um olho grudado umas 10:30. Todas nos arrumamos e fomos tomar café no Sports Bar do albergue. Tomei um capuccino, o sachet de açúcar é lindo! Depois fomos todas caminhando até uma agência de viagens pra trocar os tíquetes do ferry pra Santorini. Da agência avistei um arco interessante e algumas pilastras atrás, perguntei pra moça da agência e ela não sabia explicar direito o que era. Atravessamos a rua e fomos lá bater fotos. Céu azul, solzão, nenhuma nuvem sequer. Caminhamos mais um pouco e achamos a entrada pro tal monumento. 6 euros e comprei um tíquete que vale pro Arco de Adriano e Templo de Zeus (o monumento em questão), a Acrópole, o Teatro de Dionísio e a Ágora. Em todos eles o que mais me impressionou fora o simbolismo, foi a perfeição, detalhes e dimensões das construções, especialmente por terem sido construídas cerca de 2.500 anos atrás. É difícil de acreditar, sabia? Ô cidade fascinante essa tal de Atenas, toda hora pensava: tô caminhando onde surgiu a política, a democracia, o teatro, no local que já foi o mais próspero do mundo e alvo de tantas guerras, onde Platão, Sócrates e Aristóteles debatiam e discursavam suas ideias e ideais, onde surgiu o espaço público e a noção de cidadania. Com isso tudo cozinhando (literalmente, no final do dia notei que tava com ombro todo vermelho de sol. haha.) em minha mente, me deu uma vontade doida de pegar um daqueles ônibus hop-on hop-off que passam por todos os pontos históricos das cidades e têm fone de ouvido com uma narração em qualquer língua (escolhi português de Portugal, cada palavra engraçada. haha.) que é narrada a origem de cada um deles (sempre me arrependi de não ter pego esses ônibus em NY, Las Vegas, Barcelona, Paris e Londres. O único lugar que havia experienciado foi em Brighton, e adorei). Só quem topou ir comigo foi Daza, marcamos com as meninas de nos encontrar na Acrópole no pôr-do-sol e fomos. Como esperava, curti a beça o passeio. Passamos pelo prédio do Parlamento grego que tem dois guardiões marchando em frente 24h por dia com um sapato com pompom preto na ponta e uma saia de 40 dobrinhas que simbolizam cada um dos 40 anos que Atenas foi dominada pela Pérsia (a-d-o-r-e-i), pela Universidade de Atenas que tem uma estátua de Sócrates e outra de Platão uma de cada lado da entrada, pelo estádio onde foi a abertura das Olimpíadas de 2004, pelos hotéis lindos que foram todos reformados para essas Olimpíadas, pelo centro comercial, etc. etc. etc. Atenas é absurdamente linda, os prédios são baixos, quase todos com flores e folhas enfeitando as sacadas, as ruelas são graciosas, com ladrilhos e quase sempre passando por um monumento histórico. Very beautiful indeed! Não tem lixo nas ruas e em 2 dias rodando só vi um pedinte. Se eu não soubesse, nunca diria que a Grécia está numa crise econômica danada, um dos países mais quebrados da União Européia. Juro. Nessas horas que vejo o quanto o Brasil ainda precisa caminhar. Well, esse ônibus é hop-on hop-off, ou seja, você pode descer pra conhecer os lugares e depois voltar on board.  Saltamos na Ágora e almoçamos num restaurante bonitinho antes mesmo de ir conhecer, pois estávamos famintas. Comemos um super prato de dois andares com salada (tô apaixonada pelo tomate e azeite daqui), batata frita, pão típico que é tipo sírio, espetinho de frango, peru e muito mais coisa, nos acabamos!!! Aqui as comidas são mil vezes mais baratas que no Leblon: esse prato, mais três cervejas grandes e boas (se chama Mythos, olha que cool.) custaram ao todo 27 euros! Depois fomos na Ágora, tiramos a foto, fiquei observando um daqueles mapas que mostra o antes do local, o Foro Ateniense, fiquei imaginando 2000 atrás…Voltamos pro nosso ônibus. Encontramos as meninas na subida da Acrópole. Maior sorte (or destiny mesmo), todas nós atrasamos juntas 2h da hora originalmente marcada. Zeus nos abençoando. Subimos e me separei delas, tentei meditar. Que lugar!!! Dá pra ver Atenas todinha até o mar Egeu, e hoje, infelizmente, só tem restos do Parthenon e outros monumentos… sad. Sentei num banquinho, fiquei lendo e admirando o Parthenon ao mesmo tempo. Quase não tirei foto, mas certamente levarei aquelas imagens pelo resto da vida comigo. Íamos ver o sunset de lá, mas o sol ainda tava lá no alto (aqui só anoitece depois das 19h essa época do ano), aí decidi fazer o tour do ônibus todo de novo. hihi. No Rio tinha que ter um ônibus desses, cara.  Vou dar essa ideia pro meu pai! E já descobri que em Istambul também tem! Ihul! Quel foi comigo dessa vez e disse que curtiu. Depois fomos num bistrô pertinho do nosso hotel com vista para a Acrópole e comemos uma sobremesa típica daqui (esqueci o nome agora), com Coca Cola. Bem gostosa. Depois fomos no nosso quarto e lembrei que tínhamos ganho free drinks no bar do hostel e descemos pra tomar. Pegamos um guia do albergue e anotamos as dicas de Santorini que ali tinham, aí o garçom perguntou se queríamos participar do quiz! rs. Aceitamos e adoramos!! Achávamos que só acertaríamos 2 perguntas e acertamos 12 de 35! Claro, as perguntas não eram em grego. haha. Eram em inglês. Depois as meninas foram chegando, Beib, Lice e Bela chegaram trêbadas, pois beberam cerveja de bar em bar em Plaka. haha. Fizeram o que chamaram de baratona. Resultado: eu, Daza e Quel fomos pro bistrô de mais cedo e comemos e tomamos uma cerveja deliciosa. Comi salada de pasta com tomate, alcaparra e pimenta e azeite delicinha! Um senhor grego ex-diplomata da França (ele tem dupla nacionalidade) veio conversar conosco. Mas ficou pouco, pois tava na mesa ao lado. Nos chamou pra sentar com eles, mas não fomos. Chegamos umas 1:30 no albergue, todo mundo dormindo. Falei um pouco com mamãe (que está com pneumonia) e com papai (que tem que vir conhecer Atenas, é a cara dele!). Estava meio extasiada com o coração acelerado, acho que foi a quantidade de informação e experiência maravilhosas acumuladas. hihi. No final das contas não dormi, 5h escutei o despertador de Lice tocando ‘i don’t wanna wait in vain for your love…’ do Bob Marley. E acordei as meninas pra irmos pra Santorini.

Adaptação de e-mails escritos e enviados em 29 e 31 de agosto de 2011.

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gritaria – o paradoxo perfeito.

ao me deitar:

terça-feira: manifestação, fora governador (quem você representa, afinal?), queremos paz (de espírito também), chega de corrupção (justiça já), bombas, gritos.

quarta-feira: gol do adversário (awhat?), anulado (ufa!), gol do Flamengo (amém, a paixão sim, essa me representa), o futebol, fogos, gritos.

gritaria também dentro de mim.

mengao<

‘calma, alma minha…’

eis que, em lugar de seguir seu itinerário padrão em direção ao local que pretendo chegar, o ônibus vira à direita, a caminho de um túnel escuro e longo que desemboca do outro lado da cidade.

será que entrei no ônibus errado? não é possível… se bem que acabei de dizer ‘parede’ naturalmente ao meu pai quando pretendia dizer ‘tapete’. impossível não é. aff! tô running late já. e agora? putz! pego um táxi do outro lado? questiono o motorista que ônibus é esse?

apreensão: um meio segundo que durou horas.

eu desconhecia (ou ignorava) aquela curvinha debaixo do viaduto e antes da entrada do túnel que permitiu ao motorista um desvio rápido da rua transversal ainda interditada por conta da manifestação que não é de hoje (nem de ontem. pra sempre será?).

bastou um simples U turn lá estava eu on my way again…